A Gui foi encontrada há 6 dias (dia 03 de Junho) na Avenida Almirante Reis em Lisboa. Podia dizer para dramatismo da história que era uma noite fria e chuvosa, mas não; era uma noite de verão quente e agradável. Mas isso não impediu que esta gatinha de cerca de 3 semanas não estivesse suja, assustada e subnutrida. A Gui (que nesta altura não tinha nome) estava debaixo de um carro, deitada dentro da roda de trás. Ouvi-a a miar (na verdade a piar como eles fazem nesta idade) do outro lado da avenida e fui ver o que se passava. Assim que vi que era um gato e tentei por a mão debaixo ela assanhou-se. Confesso que tive um pouco de medo pois não sabia o tamanho do gato e se me podia fazer mal. Esperei. Tentei ganhar a confiança do animal e, ao mesmo tempo, ver se havia outro por perto (a mãe talvez). Nada, não vi nada durante quase 20min. No entanto o gatinho tinha deixado de se assanhar e eu liguei a luz do telemóvel e coloquei-o perto do animal. Vi que era uma manchinha suja e pequenina e não hesitei em pegar nele. O gato deixou-se ir e não fez qualquer tipo de movimento de fuga.
Acorri a casa com eles nas mão - era literalmente o tamanho da minha palma de mão.
A caminho de casa passei por uma clinica veterinária; que não conhecia mas por ser perto tentei experimentar se estava aberta mas não. Fui para casa. Estava em pânico, tinha medo que fosse tão pequeno que não fosse sobreviver, no entanto se ficava na rua também achava que não sobrevivesse, portanto dada a escolha, achei melhor trazê-lo.
As minhas mãos estavam literalmente pretas. Tentei limpar o gatinho com dodots um pouco e dar-lhe leite (de vaca mas leite...) e ele nada.
Fui à net ver se havia algum hospital veterinário perto desta zona e encontrei o da Estefânia. Liguei para lá, atendeu-me uma médica muito simpática que disse que eu deveria dar-lhe leite especial para gatinhos bebés com biberão e que ela o tinha no hospital para venda. Saí de casa, com o gatinho num manta (sempre a chorar) e lá fui eu até ao Hospital.
Quando lá cheguei a médica ficou espantada quão pequeno era o gato; infelizmente não foi observada neste dia porque, além de passar as 22h, era feriado e cada consulta de urgência eram 53€. No entanto a médica foi muito simpática e viu rapidamente se ela tinha feridas e se estava tudo bem; ensinou-me a dar o biberão e vimos que ela lambia melhor o leite do prato do que bebia do biberão.
Fui de novo para casa. Tentei limpá-la mais um pouco e... começou a corrida aos biberões.
Eu acho que o stress e o medo não a deixaram dormir toda a noite - e confesso eu também dormi pouco, não só pelo miar constante mas também pelos biberões de 3h em 3h que a médica tinha aconselhado.
E aqui está ela na primeira noite!

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